segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

Pessoa, Fernando

Talvez tenha de salvaguardar... Pessoa, de Fernando,
às vezes sinto-me Pessoa.

sábado, 29 de Agosto de 2009

às vezes sinto-me pessoa

às vezes sinto-me pessoa
e soa como se fosse apenas ser,
mas aquilo que quero de facto dizer
é que me sinto Pessoa.

às vezes sinto-me Pessoa!
sinto-me a escrever escrever escrever
pensamento de Pessoa!, pessoa, comum,
posto em papel branco, folha de rosto normal, A4.

às vezes penso que é banal/radical/hormonal/anormal/
espiritual/cultural ou até mesmo mu-si-cal.
mas não é, descobri quando me senti Pessoa, pessoa,
e dá-me aquela vontade imensa de escrever escrever escrever,
gatafulhar de forma tensa todo o pensamento de Pessoa!,
de pessoa que sou, que fui, que serei,
memória que vi ou que já gastei,
apenas para ver como soa, ser pessoa,
ser Pessoa, ser madragoa, não sei.

o que sei é que às vezes sinto-me pessoa,
sinto-me Pessoa, sinto-me madragoa
e continuo a escrever escrever escrever...
aescrever até me esquecer esquecer esquecer,
esquecer de quem sou, pessoa.

não posso passar onde não estou

não posso passar onde não estou
nem posso voar em terras que ninguém encontrou

não quero acreditar em acrasia
nem quero encontrar noite no lugar do dia

não gosto de ver alguém a chorar
nem gosto de ver uma flor a murchar

mas nem sempre passo num espaço já claro
em que não separo nada do que vejo

nem sempre as terras encontradas são felizes,
há terras em que erras quando olhas e escutas

mas é segura a noite e o dia
eu sei que ele vai e que ela vem

vai e vem, vaivem,
diz-me se posso passar,
que terra vou encontrar,
diz-me, quem vem lá?

terça-feira, 25 de Agosto de 2009

sopra ao ouvido

sopra ao ouvido uma voz que não está cá
e vem à memória uma história que não se vê.

aperta em algum lugar que se crê nele como uma corda invisível
que de forma imprevisível teima o aperto em não sair.

na garganta, levanta-se um nó que parece crescer,
crescer, crescer, sem nunca, nunca ninguém o ver.

se tudo tivesse um nome, um nome teria,
chamaram saudade, a tamanha nostalgia...

sexta-feira, 21 de Agosto de 2009

há tanto tempo

há tanto tempo não escrevo com palavras - escrever.
nem leio com sons as palavras que não tenho escrito
mas tenho dito tanto cá dentro, às palavras,
quando entro em mim e te canto com sons que não te escrevo.

há tanto tempo não ouço com sons as palavras que não escrevo,
nem ouço baixinho as palavras sem sons que me apeteço quando te escrevo,
porque as sou quando sei que moram nelas um pouco daquilo que são.

porque são música quando nascem,
são silêncio quando acabam.
acaba o som e fica nada,
e nada são palavras que escrevo
sons que acabam,
histórias que ficam em silêncio
quando o silêncio nunca acaba.

sexta-feira, 31 de Julho de 2009

liberdade.

há sempre uma janela perto dela.
há sempre uma luz.
há sempre um brilho que não se apaga,
uma saga de aventuras ou loucuras,
ou nada disso!, em reboliço.

há sempre uma porta perto dela.
há sempre uma escuridão.
há sempre um brilho que se apagou,
um vento que se levantou para deixar voar
qualquer coisa, ou coisa, nenhuma coisa que voou.

em suma, olhou e há sempre, sempre perto dela,
uma janela de luz, sela de brilho,
onde antes esteve uma porta, fechada e escura,
dura agora na noite uma voz,
que ecoa em nós pela madrugada e nos diz que chegou:
liberdade, liberdade, liberdade, liberdade...

liberdade é ser livre para sentir.

terça-feira, 28 de Julho de 2009

quente e frio

reinvento-me quando me escrevo.
talvez escreva para me inventar.

sou parte do que escrevo e sou nada do que leio.

escrevo para ouvir, somente.
talvez a quente soe a frio,
mas a frio sabe a quente.

sabe a quente dizer que sou água, fria,
e me posso sentir água por um instante, quente.
sabe a quente dizer que sou planície, montanha
ou porta por abrir, quem vem lá? ... (espreito).
ah... sabe a quente ser coração a bater dentro do meu peito,
sabe, sabe a leito não coberto pela água, fria,
em que me sinto por um instante, quente, outra vez.

talvez a quente soe a frio,
soe a pouco, este muito tanto, coisa nenhuma.

ouvi-me ser, e soube-me o som,
com- igo.
não era nada do que lia,
mas era tudo aquilo que ouvia.